WSSO debate liderança, saúde mental e cultura de segurança
Palestra magna e mesa-redonda reuniram executivos da indústria para discutir os desafios humanos da transformação industrial e da segurança 4.0
Fonte: Assessoria ABM
A primeira manhã de programação técnica do 16º Workshop de Saúde, Segurança Ocupacional e de Processos (WSSO), promovido pela Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), foi marcada por debates sobre saúde mental, liderança industrial e os impactos da cultura organizacional na construção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis. Realizado em Ipatinga (MG), o encontro reuniu especialistas e executivos da indústria para discutir os desafios humanos da transformação digital e da chamada Segurança 4.0.
Abrindo a agenda técnica do evento, o psiquiatra, consultor organizacional e especialista em fatores humanos Prof. Dr. Roberto Aylmer conduziu a palestra magna “Cultura de Segurança 4.0: Integrando Tecnologia e Bem-Estar no Ambiente Industrial”. Antes de iniciar sua apresentação, Aylmer pediu uma quebra de protocolo para a realização de um minuto de silêncio em homenagem às vítimas de acidentes e aos trabalhadores que não puderam ser ajudados a tempo, reforçando o tom humano da discussão e a relevância dos esforços para a proteção e segurança.
Durante a palestra, o especialista destacou que os principais desafios da indústria contemporânea não estão apenas na adoção de tecnologias, mas principalmente na transformação da cultura organizacional. “O grande desafio está exatamente na cultura, não no 4.0. A cultura é a forma como nós pensamos, trabalhamos e ensinamos a quem chega. E ela não acontece numa sala de diretoria, ela acontece na ponta”, afirmou.
Segundo Aylmer, o avanço dos casos de adoecimento mental no ambiente corporativo exige uma mudança de postura das lideranças industriais. O especialista citou o crescimento expressivo de afastamentos relacionados à saúde mental no Brasil e alertou para a necessidade de ambientes de trabalho mais seguros também do ponto de vista psicológico. “O que adoece as pessoas não é a pressão do trabalho. É não ter condições de atender essa pressão. Quando o trabalhador tem suporte, orientação e tempo, a pressão gera realização. Sem isso, ela gera medo e ansiedade”, explicou.
O palestrante também ressaltou que decisões tomadas pelas lideranças podem gerar impactos diretos sobre o comportamento das equipes operacionais. “Muitas vezes, um comportamento que é feito para resolver rapidamente um problema pode gerar uma consequência traumática na ponta. Por isso, hoje o desafio é mais presença na área, mais cuidado com o trabalhador e mais suporte para as equipes”, completou.
Na sequência, a programação contou com uma mesa redonda mediada pelo próprio Roberto Aylmer, reunindo lideranças industriais para discutir os desafios da segurança nas operações e a relação entre cultura organizacional e gestão de pessoas. Participaram do debate Eduardo Barbosa de Almeida, Process Safety Sr. Manager da Mineração Usiminas; Leandro Coelho Dalvi, Diretor Industrial e Florestal da Cenibra; Rodrigo Heronville, Diretor de Gente e Gestão e Sustentabilidade da Aperam; e Marcelo Gonçalves Teixeira Junior, Diretor Industrial da Unidade Gerdau Ouro Branco.
Entre os temas discutidos estiveram a pressão operacional sobre empresas terceirizadas, integração de equipes e o papel simbólico das lideranças na cultura de segurança. Ao responder sobre como reduzir a pressão percebida por empresas contratadas, Eduardo Barbosa destacou a importância da valorização dos parceiros industriais. “Se as outras empresas têm indicadores melhores que os nossos, nós temos que valorizar isso e começar a olhar o nosso parceiro”, afirmou.
Já Rodrigo Heronville ressaltou a necessidade de eliminar distinções entre trabalhadores próprios e terceiros dentro das organizações. Segundo ele, pequenas mudanças de postura podem fortalecer a cultura de pertencimento e segurança coletiva. “Durante muito tempo existia restaurante para terceiros. Nós percebemos que gestos simples, como integrar todos, fazem com que reconheçamos o valor dessas pessoas. Porque quando acontece um acidente, não é um acidente de terceiro, é um acidente nosso”, declarou.
Outro momento de destaque ocorreu durante a fala de Marcelo Gonçalves Teixeira Junior, da Gerdau, ao abordar a relação entre pressão operacional e suporte às equipes. Segundo ele, sinais e atitudes da liderança possuem forte impacto sobre a percepção dos trabalhadores. “A operação basicamente disse: ‘vocês não se importam com a gente’. Isso nos mostra o poder do símbolo”, comentou.
A primeira manhã do WSSO reforçou o papel do evento como espaço estratégico para troca de experiências e construção coletiva de soluções voltadas à segurança industrial. Ao integrar executivos, especialistas e profissionais de diferentes áreas, o workshop amplia o debate sobre liderança, saúde mental e inovação em um momento de transformação profunda da indústria.
O 16º WSSO teve a Usiminas como empresa anfitriã e contou também com o patrocínio das empresas: Danny, Crea-MG, 3M, Sodexo; Ansell, MSA, Reframax; Dräger, Industrial Scientific, Tuboart; Aperam, C4M, Cordstrap, DuPont; General Instruments, Gerdau, Grupo Gestor Vida, MRC, Provest, Toscafer, Vita; Cenibra, Phoenix Global, Sankyu; e apoio da FIEMG.






