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3 de Outubro de 2026

Setor minero-metalúrgico pode superar marca de 230 mil empregos e amplia demanda por qualificação

Com investimentos bilionários previstos até 2029, mineração e metalurgia reforçam a busca por profissionais qualificados, em busca de inovação sustentável

Fonte: Assessoria de Imprensa da ABM

O setor mineral brasileiro mantém trajetória de crescimento e consolida-se como um dos principais geradores de emprego no país. Se em 2022, eram cerca de 205 mil empregos diretos, a estimativa para este ano é superar a marca de 230 mil empregos diretos. A análise é baseada em um estudo do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) que aponta um aumento de US$ 40,4 bilhões em investimentos no setor minero-metalúrgico. 

O avanço é impulsionado por um ciclo robusto de aportes financeiros. De acordo com dados do IBRAM, estão previstos US$ 68,4 bilhões entre 2025 e 2029, destinados a infraestrutura logística, sustentabilidade socioambiental, exploração de cobre, fertilizantes e terras raras. O minério de ferro permanece como principal motor de investimentos, mas minerais críticos e estratégicos, voltados à tecnologia e à transição energética, ganham protagonismo.

No setor metalúrgico, o cenário também é expressivo. Em 2025, o setor de máquinas e equipamentos encerrou 2025 com cerca de 415 mil pessoas empregadas, gerando um saldo positivo de mais de 15,5 mil novos postos de trabalho em comparação ao ano anterior. Os dados são referentes a uma pesquisa do setor realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).


Distribuição regional e novas exigências do mercado

Minas Gerais e Pará concentram a maior parte das vagas em mineração, evidenciando a força histórica dessas regiões na atividade extrativa. Estados como São Paulo e Bahia apresentam participação menor, acompanhando a distribuição geográfica dos empreendimentos minerais.

Além do crescimento numérico, o perfil profissional demandado pelo mercado também evolui. Tendências apontam para a valorização de qualificação híbrida — combinando conhecimentos em mineração ou metalurgia com competências em tecnologia da informação e manufatura 4.0. Há também maior mobilidade regional, com empresas ampliando contratações além de suas bases tradicionais, e crescimento na busca por especialistas em baterias, veículos elétricos e soluções voltadas à energia limpa.

Segundo Valdomiro Roman, diretor de Operações da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), o momento exige profissionais preparados para um cenário de transformação e inovação tecnológica. “O setor está passando por uma modernização acelerada, com incorporação de automação, digitalização, inteligência artificial e soluções voltadas à sustentabilidade. Muitas tecnologias novas e disruptivas estão sendo desenvolvidas, o que amplia as oportunidades, mas também eleva o nível de qualificação exigido dos profissionais”, afirma.


Cursos técnicos como porta de entrada

Diante da expansão do mercado, os cursos técnicos seguem como uma das principais portas de entrada para quem deseja atuar no setor minero-metalúrgico. Com duração média entre 800 e 1.200 horas, essas formações priorizam a prática e permitem inserção mais rápida no mercado de trabalho.

Entre as opções mais procuradas estão os cursos de Técnico em Metalurgia, Técnico em Mineração, Técnico em Geologia e Técnico em Segurança do Trabalho. Os salários iniciais variam, em média, entre R$ 3.196 e R$ 5.908, conforme estimativas de plataformas de recrutamento.

Para o diretor de Operações, a formação técnica desempenha papel estratégico no desenvolvimento industrial. “Os cursos técnicos são fundamentais para suprir a demanda por mão de obra qualificada. Eles permitem que o profissional ingresse rapidamente no mercado e, ao mesmo tempo, criam base sólida para crescimento na carreira”, destaca.

Para aqueles que já são profissionais do setor mineral e metalúrgico, há opções de cursos de capacitação, oferecidos pela Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM) no formato à distância, com carga horária média de 20h. 

A grade de programação dos cursos, bem como seus detalhes da programação, podem ser acessados por meio do site da ABM, na aba de cursos.


Investimentos em inovação e energia limpa

A transição energética também influencia o mercado de trabalho. Projetos voltados à inovação mineral receberam recentemente aportes significativos, como iniciativas que somam R$ 200 milhões para impulsionar soluções em energia limpa e desenvolvimento tecnológico. Esse movimento amplia a demanda por profissionais com conhecimento em sustentabilidade, gestão ambiental e novos materiais.

O cenário reforça a importância do aprimoramento contínuo. Para Valdomiro Roman, o crescimento sustentável do setor depende diretamente da qualificação. “O Brasil tem enorme potencial mineral e industrial. Para transformar esse potencial em desenvolvimento consistente, é essencial investir na formação e atualização permanente dos profissionais. A qualificação é o elo entre investimento, inovação e geração de oportunidades”, conclui.