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21 de Janeiro de 2026

Senioridade impulsiona renda e liderança no mercado de trabalho da engenharia, aponta levantamento nacional

Estudo revela que engenheiros mais experientes concentram maiores rendas e ampliam presença em cargos de gestão. Iniciativas reforçam a valorização de profissionais 60+ e buscam combater o etarismo no setor

Fonte: Assessoria ABM


Embora o etarismo, preconceito e discriminação baseados na idade, seja uma questão presente de modo geral no mercado de trabalho atual, a senioridade, um tema com debate cada vez mais expressivo, tem papel positivo e determinante na trajetória profissional dos engenheiros no Brasil, influenciando renda, posição ocupacional e permanência no mercado de trabalho. É o que revela o Mini-Censo Confea 2024, levantamento nacional realizado com 48 mil profissionais das áreas de engenharia, meteorologia e geociências, com margem de erro de um ponto percentual. Mesmo com os aspectos positivos apontados na pesquisa, iniciativas e projetos voltados para a inclusão e valorização de profissionais 60+ mostram-se cada vez mais relevantes e necessários para integrar, com equilíbrio, diferentes gerações no setor da indústria.


De acordo com o estudo do Confea, a renda individual cresce de forma consistente conforme o tempo de registro profissional. Entre engenheiros com mais de dez anos de atuação, a proporção dos que recebem acima de cinco salários mínimos é 66% maior em relação aos profissionais com até cinco anos de registro. Mesmo entre os mais jovens, a ascensão é rápida: metade dos profissionais com até cinco anos de carreira já ultrapassa essa faixa de renda.


A senioridade também impacta o perfil de ocupação. Enquanto 70% dos engenheiros com até cinco anos de registro atuam como profissionais com carteira assinada, entre os mais experientes cresce a participação no empreendedorismo. Mais de 20% dos profissionais com mais de dez anos de atuação são empresários, indicando uma transição gradual da carreira técnica para posições de liderança, gestão e negócios.


Outro dado que reforça a solidez do mercado para profissionais experientes é o alto nível de empregabilidade. Segundo o levantamento, 92% dos registrados no Confea estão empregados — índice significativamente superior à média nacional, de 59%, segundo o IBGE. Além disso, 78% atuam diretamente na área em que se formaram, demonstrando baixo desvio de função ao longo da carreira.


Para o Diretor de Operações da ABM, Valdomiro Roman da Silva, os dados refletem a importância da formação contínua e da experiência acumulada, mesmo num contexto de grande valorização do perfil inovador dos jovens. “A senioridade está diretamente ligada à capacidade de entender, equacionar e solucionar problemas em menos tempo, além de um maior potencial de criação. Profissionais mais experientes trazem repertório, visão sistêmica e capacidade crítica, aspectos fundamentais para garantir segurança, eficiência e confiabilidade, seja em projetos de engenharia ou no desenvolvimento de processos e produtos”, afirma.


O estudo também aponta que a senioridade não reduz a percepção positiva sobre o mercado. Dois em cada três profissionais se declaram satisfeitos com as condições atuais de trabalho, índice que se mantém estável entre diferentes faixas etárias. A principal razão para a satisfação é o mercado aquecido, citado por 59% dos entrevistados, seguido pelo reconhecimento profissional e pela afinidade com a área de atuação.


Na avaliação de Valdomiro, o cenário reforça o papel estratégico da engenharia para o desenvolvimento do país, o que cria interesse e engajamento de profissionais de diferentes gerações. “Valorizar a experiência profissional é reconhecer que o conhecimento e experiência acumulados ao longo da carreira fortalecem decisões técnicas, agregam o perfil de liderança, reduzem riscos e contribuem para maior taxa de sucesso dos projetos. Por outro lado, a senioridade cria a base para que a inovação aconteça de forma mais eficaz e sustentável", destaca.


Os dados do Mini-Censo Confea 2024 indicam que a combinação entre formação sólida, experiência prática e atualização técnica sustenta carreiras longas e produtivas na engenharia, ao mesmo tempo em que cria oportunidades para inovação, empreendedorismo e liderança no setor.


Pensando naqueles profissionais que se sentem desatualizados ou estão fora do mercado, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) junto ao Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) criaram o projeto Inova Sênior, com o objetivo de reconectar engenheiros com mais de 60 anos ao mercado de trabalho, trazendo-os mais para perto da tecnologia e inovação. O projeto une inteligência artificial, governança ambiental, social e corporativa para valorizar o capital intelectual brasileiro de uma parte da população que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representará cerca de 38% dos cidadãos brasileiros em 2070 e é muitas vezes tratada como dispensável pelo etarismo.


A expectativa é que os profissionais, que já possuem experiência técnica, não precisem de uma nova formação, mas apenas de atualizações pontuais e uma conexão com os desafios atuais, para serem reintegrados ao mercado de trabalho, utilizando inclusive inteligência artificial para fazer esse match marketing. Inicialmente, o projeto conta com 200 engenheiros da Poli e do ITA, mas segundo apurado, a expectativa é que esse movimento cresça rapidamente. Mais informações sobre o projeto estão no site da USP e nas redes sociais do projeto.