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28 de Abril de 2026

Mineração entra em nova fase de maturidade com foco em tecnologia, sustentabilidade e minerais críticos

Pressões por descarbonização, avanço da mineração 4.0 e protagonismo brasileiro em minerais estratégicos redesenham o futuro do setor

Fonte: Assessoria ABM


Em 2026, a mineração brasileira avança em um novo ciclo de maturidade, marcado pela convergência entre produtividade, sustentabilidade e transformação digital. Ao mesmo tempo, o aumento da demanda por minerais críticos — essenciais para a transição energética e outras atividades — reposiciona o Brasil como um dos principais atores estratégicos no cenário internacional. As constatações foram observadas pela Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), que com mais de 80 anos de atuação, consegue avaliar, por meio de suas atividades de difusão do conhecimento técnico-científico, fomento à pesquisa, educação e integração com a indústria, as questões mais emergentes do mercado.

Nesse contexto, o setor vive uma mudança estrutural: mais do que extrair recursos, as empresas buscam por eficiência operacional, responsabilidade socioambiental e geração de valor ao longo de toda a cadeia produtiva. Para a ABM, esse movimento exige uma visão sistêmica da mineração, que combine inovação tecnológica, qualificação profissional e integração entre indústria, academia e sociedade.


Tecnologia e novos modelos operacionais

A chamada mineração 4.0 já se consolida como realidade. Ferramentas como inteligência artificial, automação, análise de dados e operação remota já são incorporadas às rotinas das mineradoras, ampliando previsibilidade, reduzindo riscos e aumentando a segurança das operações.

Além disso, cresce o investimento em soluções voltadas à manutenção preditiva, modelagem geológica avançada e otimização de processos — áreas que vêm recebendo fatias cada vez maiores dos orçamentos das empresas.

Segundo a consultora e coordenadora da comissão técnica de mineração da ABM, Vânia Lúcia de Lima Andrade, esse avanço tecnológico precisa caminhar junto com a formação de profissionais preparados para lidar com ambientes cada vez mais complexos. “Automação, inteligência artificial e digitalização vão ganhar protagonismo, mas ainda enfrentamos um desafio importante: a necessidade de mão de obra qualificada para acompanhar essa transformação”, afirma.


Minerais críticos e o papel estratégico do Brasil

A crescente demanda por lítio, cobre e terras raras, impulsionada principalmente por setores como energia renovável, baterias e veículos elétricos, abre uma janela de oportunidade para o Brasil.

O país já se destaca na produção de minério de ferro e avança em projetos ligados ao lítio e à bauxita, posicionando-se como fornecedor relevante para cadeias globais da economia verde. No entanto, o desafio vai além da extração. “Estamos muito bem posicionados em termos de recursos naturais, mas ainda precisamos avançar na criação de uma cadeia de valor mais robusta, com maior agregação industrial”, afirma Vânia.

A especialista também destaca a importância de políticas industriais que incentivem o processamento e a transformação desses minerais dentro do país, ampliando competitividade e geração de valor.


ESG, licença social e o novo papel da mineração

As pressões por práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) deixaram de ser diferenciais e passaram a ser critérios básicos para financiamento e operação.

Licença Social para Operar (LSO) é a aceitação informal e contínua de um projeto pela comunidade local e partes interessadas, indo além das autorizações legais. Não é um documento oficial, mas um ativo intangível baseado em confiança, transparência e mitigação de impactos, sendo crucial para evitar conflitos e garantir a perenidade de empreendimentos, especialmente na mineração.

“Nesse cenário, surge um conceito cada vez mais central: a licença social para operar, um pacto baseado em confiança, transparência e mitigação de impactos criado entre comunidade e mineradoras. O grande motor da mineração no futuro será a licença social. Não basta recuperar ambientalmente — é preciso devolver o território com um novo uso que gere valor para a sociedade”, explica Vânia.

Esse conceito se materializa no chamado fechamento de mina com transferência de custódia, que envolve não apenas a recuperação ambiental, mas também a criação de novas possibilidades de uso para as áreas impactadas, como parques, projetos urbanos ou iniciativas econômicas sustentáveis.


Produtividade e sustentabilidade: um equilíbrio possível

A busca por maior produtividade, historicamente associada ao aumento de escala, passa agora a depender de planejamento mais sofisticado e integração de variáveis ambientais e sociais. “O aumento de produtividade começa em um bom projeto. É ali que conseguimos equilibrar eficiência operacional com responsabilidade socioambiental”, destaca a especialista.

Esse novo modelo reforça a importância de uma regulação eficiente. Entre as demandas do setor, está o fortalecimento institucional da Agência Nacional de Mineração (ANM), com maior autonomia financeira e capacidade técnica para acompanhar a evolução da atividade.

Pessoas, inovação e o desafio da atração de talentos Se a tecnologia avança rapidamente, a formação de profissionais ainda não acompanha o mesmo ritmo. A escassez de mão de obra qualificada e a dificuldade de atrair jovens para cursos ligados à mineração e metalurgia são apontadas como gargalos críticos.

Nesse cenário, iniciativas de educação e aproximação com o mercado ganham relevância. “Hoje, a formação de profissionais ainda é insuficiente. Precisamos tornar o setor mais atrativo para os jovens e mostrar as oportunidades que estão surgindo”, afirma.

A ABM atua diretamente nesse processo, promovendo iniciativas como a ABM Week e programas de formação técnica, além de incentivar a inovação aberta — modelo baseado na colaboração entre empresas, universidades e centros de pesquisa.


Perspectivas: um cenário de oportunidades

Apesar dos desafios, a avaliação do setor é predominantemente otimista. A combinação entre demanda global aquecida, avanço tecnológico e potencial geológico coloca o Brasil em posição privilegiada.

Vânia enxerga o momento como de crescimento e avanço não apenas econômico, mas social e tecnológico para o país. “Eu sou otimista. Estamos na antessala de um grande momento da mineração. Fomos presenteados pela natureza com recursos estratégicos, cabe a nós transformar esse potencial em oportunidade”, conclui a especialista.

À medida que a mineração avança para um modelo mais integrado, tecnológico e sustentável, o setor se consolida não apenas como base da indústria, mas como protagonista na construção de uma economia de baixo carbono e de alto valor agregado.