Mineração do futuro une integração tecnológica e formação de pessoas, aponta gerente da Vale, na ABM Week 10
Palestra de Francisco Manesco abriu a Sessão Especial do 25º Seminário de Mineração, que também homenageou o professor Luís Marcelo Marques Tavares, da COPPE/UFRJ
Fonte: Assessoria ABM
A integração de tecnologias digitais aos processos produtivos e o desenvolvimento das comunidades onde a mineração atua foram os eixos da palestra "Mineração do futuro e tecnologias transformacionais", apresentada por Francisco Manesco, gerente de Projetos Estratégicos em Mineração e Inovação da Vale, que ocorreu na Sessão Especial do 25º Seminário de Mineração, no terceiro e último dia da ABM Week 10.
A fala percorreu três frentes, o cenário de demanda por minérios, as tecnologias já aplicadas às operações e a relação da mineração com os territórios onde opera.
Tecnologia aplicada à operação
O avanço da demanda por tecnologia tende a valorizar a indústria de base e ampliar o consumo de minérios, na avaliação do gerente, que citou a Nvidia como exemplo desse movimento. No caso brasileiro, Manesco ponderou que o potencial de valorização do setor depende também das políticas públicas adotadas pelo país nos próximos anos.
O uso de dados e de inteligência artificial aparece como principal fator de ganho de produtividade para as 40 maiores mineradoras do mundo nos próximos anos, ainda que o setor ocupe a última posição entre as indústrias avaliadas em maturidade digital, conforme estudo global sobre o segmento. O grupo somou receita de US$ 909 bilhões em 2025, alta de 3,3% sobre o ano anterior.
Entre as tecnologias já aplicadas à operação, ele descreveu a simulação de cenários como etapa anterior à implantação de projetos. "Com integração tecnológica, conseguimos testar projetos virtualmente antes da execução", afirmou.
Engenheiro de formação, Manesco lidera na Vale o Programa de Mineração do Futuro e o Programa de Mineração Circular. Foi responsável pelo desenho e pela consolidação do Waste to Value, iniciativa que busca transformar estéreis e rejeitos da mineração de ferro em novos usos.
Reaproveitamento de resíduos
O programa de mineração circular reúne o aproveitamento de materiais contidos em pilhas e barragens e a fabricação de coprodutos a partir de rejeitos do processamento de minério de ferro. A produção de minério de ferro proveniente de fontes circulares chegou a 26,3 milhões de toneladas em 2025, ante 12,7 milhões de toneladas no ano anterior, e a meta é que essas fontes respondam por cerca de 10% da produção anual da companhia no Brasil até 2030, de acordo com a mineradora.
Entre os coprodutos estão a areia sustentável, obtida a partir de rejeitos, e os blocos para construção civil produzidos na mina do Pico, em Itabirito (MG).
O tema também fez parte da mesa-redonda do 25º Seminário de Mineração, dedicada a alternativas para agregar valor a resíduos em grandes volumes. Além dos rejeitos destinados a barragens e pilhas, grandes quantidades de estéreis permanecem armazenadas por décadas e ocupam extensas áreas, o que exige aplicações economicamente viáveis na escala da mineração de ferro.
Pessoas no centro do desenvolvimento
Na parte dedicada à estratégia da Vale, o gerente apresentou uma visão integrada entre sustentabilidade e resultados, com as pessoas no centro do desenvolvimento do setor. Como exemplo, citou a atuação da Fundação Vale em educação no sudeste do Pará.
As iniciativas sociais da fundação alcançaram 43 municípios em cinco estados em 2025, com R$ 87,9 milhões investidos. Na educação, 85% dos municípios atendidos receberam o Selo Nacional Criança Alfabetizada, do Ministério da Educação, e as Estações Conhecimento atenderam 9,6 mil pessoas no período, segundo o relatório de atividades do ano.
No Pará, o projeto voltado ao combate à exclusão escolar identificou 8.132 crianças e adolescentes fora da escola em sete municípios e reinseriu 7.607 no sistema de ensino ao longo de cinco anos, conforme balanço divulgado em julho. Em Ourilândia do Norte, a experiência resultou na aprovação de lei municipal de prevenção e enfrentamento da exclusão escolar na educação básica.
Setor mineral
O setor mineral brasileiro registrou faturamento de R$ 298,8 bilhões em 2025, alta de 10,3% na comparação com 2024. O minério de ferro respondeu por R$ 157,2 bilhões, equivalente a 52,6% do total, e Minas Gerais, Pará e Bahia concentraram 39,9%, 34,5% e 4,5% do faturamento, de acordo com o balanço do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).
No comércio exterior, o saldo da balança comercial mineral somou US$ 37,6 bilhões, o equivalente a 55% do saldo comercial do país no ano, ante 47% no ano anterior. As exportações do setor chegaram a cerca de 431 milhões de toneladas e a receitas próximas de US$ 46 bilhões.
A arrecadação de tributos e encargos cresceu cerca de 10% e alcançou R$ 103 bilhões, enquanto a indústria extrativa mineral registrou 229.312 empregos diretos em novembro, excluídos petróleo e gás. A previsão de investimentos chega a US$ 76,9 bilhões entre 2026 e 2030, dos quais US$ 21,3 bilhões destinados a minerais críticos e estratégicos.
Homenagem ao professor Luís Marcelo Marques Tavares
A abertura da sessão foi marcada pela homenagem ao professor Luís Marcelo Marques Tavares, prestada pelo presidente-executivo da ABM, Horacidio Leal Barbosa Filho, e pela coordenadora da Comissão Técnica de Mineração, Vânia Lúcia de Lima Andrade.
Tavares é professor titular do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da UFRJ e fundador e coordenador do Laboratório de Tecnologia Mineral da COPPE/UFRJ. Graduado em engenharia de minas pela UFRGS e doutor em engenharia metalúrgica pela Universidade de Utah, dedica-se ao tratamento de minérios, com pesquisas em modelagem e simulação do processamento mineral, caracterização de minérios voltada à cominuição e sustentabilidade na indústria mineral.
O laboratório ocupa uma área de 600 metros quadrados no Centro de Tecnologia da universidade, no Rio de Janeiro, e presta serviços de ensaios de minérios, projeto e otimização de circuitos de britagem e moagem e simulações de manuseio de granéis pelo método dos elementos discretos. Nas listagens Elsevier-Stanford que reúnem os 2% de pesquisadores com maior impacto de citações, divulgadas no ano passado, o professor aparece em primeiro lugar na América Latina na área de mineração e metalurgia.
O grupo do professor Tavares também esteve presente na cerimônia de abertura da 10ª ABM Week, quando o mestrando Erick Guimarães recebeu o Prêmio de Reconhecimento Técnico Usiminas Inovação.
Sobre a 10ª ABM Week
Realizada entre os dias 8 e 10 de setembro, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo, a ABM Week é o principal evento técnico-científico e empresarial da América Latina voltado aos setores de metalurgia, materiais e mineração. A programação reúne congressos, seminários, simpósios, mesas-redondas, painéis, sessões técnicas e espaços dedicados à inovação, conectando empresas, academia e especialistas para discutir os principais desafios e tendências da indústria.
A 10ª edição da ABM Week teve a Gerdau como anfitriã e conta com o patrocínio das seguintes empresas: ArcelorMittal, DME Engenharia, Primetals, SMS group, Ternium, Usiminas, Vale, Bruker, Shinagawa, Acre, Aperam, Aplan, Carboox, Danieli, HWI – a member of Calderys, Ibar, Tecnosulfur, Reframax, RHI Magnesita, Vesuvius, Aldak Tenologia, Autron, AVB, Beda/Lechler, BRC, BRX Sistemas, Clariant, Contemp, Danfoss, EnergyTech, GE Vernova, GMI, Harsco, Jenike & Johanson, JK Global, Kaefer RIP, Kuttner, Lhoist, Maud Group, Nalco Water, NSK, Nouryon, Phoenix Global, Polytec, Ramon, Yantai Refra, Rimac, Russula, Tractian, Vika Controls, Wisdri, ABB, AçoKorte, Atomat, Belge, Camet, Cemi, CISDI, Cordstrap, DANTAN, Data Engenharia, Ducon, Densit/Densyx, Direxa, Durag, Eirich, Evcomx, Fluke, Fosbel, Furnace Solutions, Gervasi, Hastec, Heidenhain, Heraeus Electro-Nite, Herkules Group, IMS, Industrial Scientific, Instron, Intelbras, IRF South America, JT & Partners, KMD, Koppern, Lumar Metals, Malvern Panalytical, Rijeza, Ringspann, Sage, São Joaquim Laminação, SMS Mill Services, SNF, Solenis, Spraying Systems, Suncoke Energy, Terresis/Magna, Tmeic, Togni, TotalEnergies, Utis, Veolia, Vixteam, Waelzholz Brasmetal e Weir.






