Na imagem, os estádios BC Place (Canadá), BBVA (México) e SoFi (Estados Unidos), que sediam a Copa do Mundo 2026.
Fonte: Assessoria ABM
Os 16 estádios que receberão partidas da Copa de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, concentram mais de 150 mil toneladas de aço em suas estruturas, segundo dados divulgados por construtoras, engenheiros estruturais e operadores das arenas. O volume equivale ao de mais de 20 torres Eiffel, variando entre 6 mil a 30 mil toneladas por estádio, e revela o papel central do metal na engenharia das sedes do primeiro Mundial disputado em três países concomitantemente e por 48 seleções.
Apesar de expressivos, os números contam apenas parte da história. Mais do que volume, o aço trouxe aos estádios algo que o concreto sozinho jamais entregou: áreas livres, coberturas móveis, prazos de construções cada vez menores e estruturas integralmente recicláveis. É essa combinação que explica por que todas as arenas mais modernas do mundo têm o metal como protagonista.
Para o gerente de Suporte Técnico da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Márcio Antônio da Silva, essa mudança se explica devido aos avanços tecnológicos e estudos aplicados referentes à área. “Diversos congressos e seminários da ABM Week e de nossos cursos abordam esses usos modernos do aço em grandes construções. O salto qualitativo por meio do uso do material na engenharia se dá de diversas formas, como em agilidade, praticidade, eficiência, custo, manutenção, segurança, entre outras”, explica.
Evolução dos estádios: do concreto maciço ao teto retrátil
O Brasil viveu essa transição na Copa de 2014. Conforme registrou a distribuidora
Paraferro, a Arena Amazônia, em Manaus, recebeu estrutura metálica de 7 mil toneladas em uma cobertura de cerca de 23 mil metros quadrados. Enquanto a Arena da Baixada, estádio do Club Athletico Paranaense, em Curitiba, ganhou na reforma uma estrutura de aproximadamente 4.500 toneladas. O movimento continuou depois do Mundial: na construção da Arena MRV, do Atlético-MG, foram empregadas 5 mil toneladas de aço em fundações, estruturas de sustentação e peças pré-fabricadas.
A escalada das arenas cobertas
Em Atlanta, o
Mercedes-Benz Stadium reúne cerca de 27 mil toneladas de aço: 18 delas apenas no teto fixo, outras 4 na porção retrátil, formada por oito pétalas que se abrem como o diafragma de uma câmera fotográfica, além de 4 mil toneladas utilizadas na fachada do edifício. "É provavelmente o teto mais complexo já construído, fixo ou móvel", afirmou um dos engenheiros do projeto à revista
Engineering News-Record.
O
SoFi Stadium, em Los Angeles, palco da estreia da seleção americana contra o Paraguai, enfrentou a exigência adicional das normas sísmicas da Califórnia. De acordo com o
StadiumDB, a cobertura mobilizou 67 mil toneladas de materiais, com treliças principais de aço de 20 mil toneladas e cabos de 1.400 toneladas, em estrutura independente do estádio projetada para resistir a abalos sísmicos.
O NRG Stadium, em Houston, o primeiro da National Football League (NFL) com teto retrátil, utilizou 17.274 toneladas de aço e 423 toneladas de parafusos, segundo o
Facilities Management Advisor. Seus dois painéis móveis, de cerca de 2.500 toneladas cada, deslizam sobre trilhos e abrem em minutos, conforme a
Electric Choice.
Em Miami, a nova marquise do Hard Rock Stadium exigiu mais de 18.500 toneladas de aço estrutural, material utilizado em sua cobertura, projetada para resistir a ventos de furacão de categoria 4, segundo a fabricante
Hillsdale Fabricators. Completam a lista americana o
Levi's Stadium, na região de São Francisco, sustentado por cerca de 18 mil toneladas de aço em 14 mil peças, com material 95% reciclável; o
Lumen Field, em Seattle, cujas coberturas em forma de concha, com 5.700 toneladas de aço, foram desenhadas para reter o som da torcida; e o
MetLife Stadium, em Nova Jersey, sede da final do torneio, cuja estrutura tem mais de 17 mil componentes de aço. A obra aproveitou 40 mil toneladas de aço reciclado do antigo Giants Stadium, demolido ao lado.
No México, o Gigante de Aço
Já o Estádio Akron, em Guadalajara, projetado para lembrar um vulcão coberto de vegetação, tem estrutura mais leve. Conforme o portal Edifícios de México, a cobertura é sustentada por 16 colunas na periferia do estádio, que suportam uma
membrana de 48 mil metros quadrados e uma estrutura de 3.300 toneladas, usada também como coletor de água da chuva para utilizado para irrigação da grama e lavagem do próprio estádio.
No Canadá, 35 quilômetros de cabos
O BC Place, em Vancouver, tem uma das soluções mais elaboradas do torneio. Segundo o
governo da Colúmbia Britânica, o teto retrátil sustentado por cabos, o maior do gênero no mundo, exigiu 18 mil toneladas de aço, 35 quilômetros de cabos e 76 mil metros quadrados de tecido. "É um dos projetos mais complicados já realizados nesta comunidade", afirmou David Podmore, presidente da estatal que administra a arena, ao
Daily Commercial News durante a reforma. Em Toronto, o BMO Field foi ampliado para atender às exigências da Fifa.
Da cobertura à arquibancada, o avanço do inox
A evolução não se limita ao aço estrutural. Nos estádios mais recentes, o aço inoxidável ocupa espaço em praticamente todos os pontos de contato com o torcedor. Conforme análise do
Grupo Feital, o inox combina resistência à corrosão, inclusive em regiões costeiras, durabilidade em estruturas de difícil acesso, como coberturas e passarelas, e resistência mecânica com menor peso. Entre os exemplos citados pela empresa estão o Maracanã, que recebeu inox em escadas, corrimãos e áreas de circulação na modernização para a Copa de 2014, a fachada da Allianz Arena, na Alemanha, e o Santiago Bernabéu, que emprega o material em coberturas retráteis e estruturas expostas.
Segundo o Diretor de Operações da ABM, Valdomiro Roman, as soluções e materiais aplicados nos estádios podem ser utilizadas em prédios e estruturas civis nas cidades e estradas, trazendo mais para perto essas aplicações sofisticadas. “O conhecimento, as técnicas e o desenvolvimento dos materiais ligados a essas estruturas são resultados de anos de estudos e pesquisas, que também passam ela ABM, que proporciona fóruns para intercâmbio, debates, difusão de conhecimento, pesquisas e tecnologias que permitem o melhor uso dessa forma de construir para o nosso país, contribuindo com a eficiência e sustentabilidade, tanto em grandes arenas como em aplicações mais cotidianas da engenharia estrutural”, explica.