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30 de Junho de 2026

Economia circular transforma sucata metálica em matéria-prima estratégica para a indústria

Reaproveitamento de materiais ganha protagonismo nas vertentes de descarbonização, competitividade e sustentabilidade dos setores de mineração e siderurgia

Fonte: Assessoria ABM


A transição para modelos produtivos mais sustentáveis tem colocado a economia circular no centro das estratégias industriais em todo o mundo. Em setores intensivos em recursos naturais, como mineração e siderurgia, a busca por maior eficiência no uso de matérias-primas e pela redução das emissões de carbono tem ampliado o papel da sucata metálica como insumo relevante para a produção industrial.

Embora o reaproveitamento de metais não seja uma prática recente, sua importância ganhou novos contornos diante das metas globais de descarbonização e das crescentes exigências ambientais. Atualmente, a sucata metálica deixou de ser vista apenas como um resíduo passível de reciclagem para se consolidar como um elemento fundamental na construção de cadeias produtivas mais circulares e sustentáveis.

Segundo Luiz Cláudio Pinto Oliveira, coordenador do Grupo de Trabalho de Economia Circular e Sustentabilidade da ABM, o uso da sucata metálica na produção de aço representa um dos exemplos mais consolidados de circularidade industrial. “A produção de aço a partir de sucata é uma prática amplamente difundida há décadas, principalmente com o avanço dos fornos elétricos a arco, capazes de operar com cargas compostas por 100% de material reciclado. Se antes a motivação era predominantemente econômica, hoje ela está diretamente associada aos desafios da descarbonização e ao melhor aproveitamento dos recursos disponíveis”, afirma.

De acordo com o especialista, a produção de aço a partir de sucata pode emitir aproximadamente 30% do dióxido de carbono gerado pelas rotas convencionais baseadas em alto-forno e aciaria LD, tornando-se uma alternativa relevante para a redução da pegada ambiental da indústria siderúrgica.

Desafios e oportunidades para ampliar a circularidade

Apesar dos avanços tecnológicos e da consolidação de uma cadeia de reciclagem relativamente estruturada no país, a ampliação do aproveitamento da sucata metálica ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles estão questões logísticas, especialmente em regiões mais distantes dos grandes centros industriais. “O Brasil possui uma cultura consolidada de coleta e reciclagem de materiais metálicos, envolvendo cooperativas, catadores e grandes empresas especializadas. Entretanto, as dimensões continentais do país tornam a logística um fator determinante para ampliar ainda mais o retorno da sucata ao ciclo produtivo”, explica Oliveira.

Ao mesmo tempo, a evolução tecnológica tem permitido o aprimoramento dos processos de beneficiamento da sucata, elevando sua qualidade e ampliando suas possibilidades de aplicação em produtos de maior valor agregado.

Esse tema, inclusive, estará presente nas discussões técnicas da próxima edição da ABM Week, onde especialistas da indústria, da academia e de centros de pesquisa debaterão soluções para aumentar a eficiência do reaproveitamento de materiais metálicos.

Circularidade impulsiona competitividade e inovação

Os benefícios da economia circular vão além da reciclagem da sucata metálica. Tanto a mineração quanto a siderurgia têm investido em iniciativas voltadas ao reaproveitamento de resíduos e coprodutos, criando novas oportunidades de negócio e reduzindo impactos ambientais.

Na mineração, ganham espaço projetos voltados à recuperação de minerais presentes em rejeitos e ao aproveitamento de materiais para aplicações na construção civil. Já na siderurgia, resíduos industriais e escórias têm sido utilizados em segmentos como pavimentação, infraestrutura ferroviária, agricultura e produção de materiais de construção.

Para Valdomiro Roman, diretor de Operações da ABM, o fortalecimento dessas iniciativas demonstra que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar um fator de competitividade industrial. “A economia circular representa uma mudança estrutural na forma como a indústria produz, consome recursos e gera valor. O reaproveitamento de materiais, a inovação tecnológica e a busca por processos mais eficientes são elementos que fortalecem a competitividade das empresas e contribuem para uma indústria mais sustentável e preparada para os desafios do futuro”, destaca.

O futuro da indústria passa pela economia circular

A crescente preocupação com a escassez de recursos naturais, o aumento das exigências regulatórias e a necessidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa apontam para um cenário em que a economia circular tende a ganhar cada vez mais relevância.

Entre os fatores que impulsionam essa transformação estão a adoção da análise de ciclo de vida dos produtos, a evolução dos sistemas de gestão ambiental e a necessidade de reduzir a geração de resíduos destinados a aterros industriais. “Hoje, não há espaço para que a indústria continue baseada exclusivamente na lógica linear de extrair, produzir e descartar. Os ganhos econômicos, ambientais e sociais proporcionados pela circularidade são cada vez mais evidentes e devem orientar os próximos ciclos de transformação industrial”, conclui Oliveira.

Ao reunir especialistas, pesquisadores e lideranças empresariais para discutir temas relacionados à sustentabilidade, inovação e competitividade, a ABM mantém seu papel como um dos principais fóruns de debate técnico do setor, promovendo a troca de conhecimento e a construção de soluções para os desafios da indústria brasileira. A exemplo desse papel, a associação mantém há alguns anos um ciclo de debates constante sobre garimpo urbano ou mineração urbana, conceitos que apresentam formas de criar metodologias para recuperar, dentro das imediações das próprias cidades, materiais valiosos presentes em eletrônicos, coprodutos siderúrgicos e outros rejeitos. Em 2025, o assunto permeou diversos painéis da 9ª edição da ABM Week e, em 2026, também voltará aos debates da próxima edição, apresentando soluções e oportunidades para o setor ampliar a sustentabilidade e a eficiência das cadeias produtivas.