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27 de Outubro de 2026

Do laboratório à indústria: por que transformar pesquisa em inovação ainda é um desafio?

Cooperação e conhecimento compartilhado são elementos que podem ajudar a levar as inovações desenvolvidas nas universidades às indústrias com mais rapidez

Fonte: Assessoria ABM


Aplicar a inovação produzida nas universidades às indústrias e manter a colaboração entre esses dois setores ainda são desafios no Brasil. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria, 47,6% das empresas brasileiras têm dificuldade para inovar, e 65,7% não realizam atividades de pesquisa e inovação internamente, o que ressalta a relevância e a necessidade de esforço de se buscar trabalhar junto de universidades e institutos de pesquisa.

Nos setores de siderurgia, mineração e metalurgia, a cooperação é ainda mais necessária para promover a inovação, aumentar a produtividade, melhorar produtos e ampliar a competitividade nacional. “As empresas não têm tudo dentro delas. Então, o que procuramos nas universidades é esse complemento”, resume Tarcísio Reis de Oliveira, gerente executivo de pesquisa da Aperam.

A boa notícia é que existem soluções para aproximar os dois setores. Executivos nas áreas de siderurgia, mineração e metalurgia citam, principalmente, o diálogo, a compreensão dos problemas e os desafios das indústrias como situações iniciais para que a inovação seja conduzida em parceria.


Desafio está na integração

Detalhando as raízes do desafio de integrar a academia e a indústria, Thompson Reis, coordenador de P&D e inovação em materiais no CIT SENAI, apresenta o conceito de Technology Readiness Level (TRL), que mede o grau de maturidade de uma tecnologia para sua aplicação industrial.

A escala TRL parte do nível 1, em que são realizadas pesquisas iniciais, e vai até o nível 9, que corresponde a tecnologias plenamente desenvolvidas e prontas para uso comercial. “O conhecimento que surge na universidade, geralmente, está mais no início da escala, entre os níveis 1 e 2, caracterizados pelo surgimento de pesquisas e entendimento dos fundamentos. A indústria, por outro lado, anseia por soluções que já passaram do nível 7, ou seja, estão prontas para serem escalonadas e utilizadas como produtos”, afirma.

Nesse sentido, o coordenador de P&D apresenta uma proposta. Ele conta que o Senai desenvolveu uma rede de institutos que buscam atuar como intermediários, realizando provas de conceito e desenvolvendo protótipos para transformar as inovações criadas nas universidades em produtos que atendam às necessidades da indústria.

“A rede de institutos de inovação foi implantada no país há aproximadamente 15 anos pelo Senai. São 28 institutos, cada um operando em uma área de competência específica. A inspiração foi uma rede que existe há mais de 70 anos na Alemanha, os institutos Fraunhofer. Contamos com a consultoria deles para implantar esse modelo que visa aproximar a academia, a indústria e o governo para que juntos possam desenvolver as demandas e soluções para a indústria”, pontua Thompson.


Desconhecimento mútuo

De acordo com dados divulgados pelo IBGE em 2026, 47,8% das empresas do setor de metalurgia possuem parcerias de inovação, incluindo as iniciativas firmadas com outras empresas. O percentual coloca o segmento da metalurgia na primeira posição entre as atividades industriais que mais desenvolvem parceria para inovar. No entanto, segundo especialistas, ainda é necessário realizar mais pesquisas e estreitar os laços com institutos de pesquisa.

“O que enxergo é que a indústria e a academia têm um mútuo desconhecimento. As empresas não sabem o que os institutos de ciência e tecnologia têm a oferecer, e as faculdades, por outro lado, não conhecem nossos desafios”, diz Fernando Martinelli, gerente-geral de P&D na ArcelorMittal, que trabalha com pesquisa há cinco anos.

Para Fernando, as empresas precisam identificar qual instituto de pesquisa pode fornecer as melhores soluções e trabalhar em conjunto para alcançar determinado objetivo. “Às vezes, a demanda que temos como prioridade não é a competência de um instituto, e posteriormente descobrimos que um instituto tem outra competência em uma atividade que poderíamos estar utilizando. Então, buscar essa troca é um caminho interessante”, afirma.

Na mesma linha, Rafael Mesquita, diretor executivo de tecnologia na CBMM, complementa: “no Brasil, existe uma distância grande entre a academia e as empresas. Essa distância torna mais difícil o exercício de empatia e entender o problema do outro”.

Para ele, justamente a abertura e a empatia com outras visões são o primeiro passo para firmar uma parceria de sucesso e fazer a inovação circular. “É preciso entender profundamente o problema do outro para saber como podemos complementar, ou indicar outro parceiro que possa oferecer a solução adequada”, finaliza.


Sobre a ABM

Fundada em 1944, com o objetivo de promover conhecimento, inovação e networking para profissionais, acadêmicos, pesquisadores e empresas, a Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM) é uma instituição civil sem fins lucrativos, que atua em todo território nacional. Por meio da realização de eventos, cursos, treinamentos, palestras e da publicação de livros e revistas técnicas, a Associação busca integrar e cooperar com o processo de desenvolvimento e a competitividade da Indústria de Base Nacional — pela geração e difusão de conhecimento técnico-científico e empresarial — em parceria com cerca de 70 empresas mantenedoras e associadas e de 1.500 associados pessoas físicas.