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28 de Julho de 2026

Dia do Engenheiro de Materiais marca 50 anos da regulamentação da profissão no Brasil

Primeiro da América Latina a formar engenheiros de materiais, país destaca uma profissão estratégica para a indústria e essencial ao desenvolvimento de tecnologias presentes no cotidiano

Fonte: Assessoria ABM


O Dia do Engenheiro de Materiais, celebrado em 31 de julho, ganha um significado especial em 2026: a data marca os 50 anos da Resolução nº 241/76 do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), baixada em 31 de julho de 1976, que estabeleceu as atribuições profissionais do engenheiro de materiais no Brasil. 

Meio século depois, a profissão, que nasceu discreta nos laboratórios das universidades, tornou-se uma das mais estratégicas para a indústria, presente no desenvolvimento de praticamente tudo o que compõe a vida moderna, do aço das estruturas às cerâmicas avançadas, dos polímeros das embalagens aos materiais que viabilizam baterias, semicondutores e implantes médicos.

A trajetória da área no país guarda ainda outro marco de pioneirismo: foi no Brasil, em 1970, que surgiu o primeiro curso de graduação em Engenharia de Materiais da América Latina, criado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A iniciativa partiu da percepção de que o desenvolvimento tecnológico nacional dependia de dominar a ciência por trás dos materiais, e não apenas de importar soluções prontas. Desde então, dezenas de cursos foram implantados em universidades de todas as regiões, consolidando uma comunidade técnico-científica que hoje projeta o país internacionalmente.

Segundo Valdomiro Roman da Silva, diretor de operações da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), essa trajetória colocou a profissão no centro do desenvolvimento nacional. “A engenharia de materiais cria as bases para a indústria e os produtos do futuro, transformando os recursos naturais abundantes do Brasil em tecnologia, inovação e competitividade, impulsionando a sustentabilidade e fortalecendo a soberania tecnológica do país. O desenvolvimento de novos materiais é um fator crítico na transição energética, indispensável para a geração de produtos verdes, na saúde, com os biomateriais, na nanotecnologia e na manufatura aditiva, entre uma diversidade de aplicações. E o engenheiro de materiais é o responsável por conduzir essa transformação”, afirma.

O trabalho do engenheiro de materiais parte de um princípio que estrutura toda a área: a relação entre composição, processamento, microestrutura e propriedades. É esse domínio que permite ao profissional selecionar, desenvolver e aprimorar metais, cerâmicas, polímeros e compósitos para cada aplicação, atuando em atividades que vão do controle de qualidade e da análise de falhas à pesquisa de novos materiais, passando por corrosão, tratamentos térmicos, engenharia de superfície, reciclagem e desenvolvimento de produtos.

Cinquenta anos após a regulamentação, os desafios colocados à profissão se renovaram. A transição energética depende diretamente de avanços em materiais para baterias, painéis solares, turbinas eólicas e aços de baixa emissão de carbono. A eletrônica exige semicondutores e cerâmicas cada vez mais sofisticados. A agenda de sustentabilidade impõe o desenvolvimento de materiais recicláveis, biodegradáveis e de menor impacto ambiental. Ao mesmo tempo, ferramentas como manufatura aditiva, simulação computacional e inteligência artificial vêm encurtando ciclos de desenvolvimento que antes levavam décadas.

Desenvolvimento continuado

A própria história da ABM se funde com a consolidação dessa especialização de engenharia no Brasil. Fundada em 10 de outubro de 1944, sob a denominação de Associação Brasileira de Metais, a entidade acompanhou a ampliação do campo de conhecimento e, em 1991, incorporou os materiais ao seu nome e à sua atuação, refletindo a evolução de uma disciplina que extrapolou a metalurgia clássica para abranger toda a ciência e engenharia de materiais. Hoje, a associação congrega profissionais, pesquisadores e empresas dos três setores que dão nome à instituição: metalurgia, materiais e mineração, este último incorporado em 2008.

Entre as contribuições da ABM para a área está o Journal of Materials Research and Technology (JMR&T), periódico científico lançado em 2011 e publicado pela editora Elsevier. De acesso aberto e totalmente em inglês, a revista detêm o maior Fator de Impacto (FI=7.3) do Brasil, figura entre as dez publicações mais bem avaliadas do mundo na categoria de metalurgia e engenharia metalúrgica, reunindo milhares de artigos de autores de mais de 35 países e ampliando a projeção internacional da produção científica brasileira em materiais.

A entidade também realiza a ABM Week, maior evento técnico-científico das áreas de materiais, metalurgia e mineração da América Latina, que chega à sua 10ª edição em setembro de 2026. A programação abriga o Congresso Anual da Associação, que alcança a 79ª edição, e o Enemet, Encontro Nacional dos Estudantes de Engenharia Metalúrgica, de Materiais e de Minas, que chega à 24ª edição. “O Congresso e as revistas técnicas da ABM são os principais veículos de divulgação da produção técnico-científica da área de materiais. Somente desta área, recebemos cerca de 280 trabalhos para o Congresso deste ano, individualmente o maior número de submissões por área de conhecimento. Já o Enemet reúne anualmente cerca de 400 estudantes de todo o país, em uma oportunidade única de debates e integração entre as principais universidades e as maiores empresas do setor”, destaca Roman.

A formação continuada dos profissionais integra a atuação da entidade. Ao longo do ano, a programação anual de cursos da ABM reúne capacitações de curta duração, nas modalidades on-line e presencial, ministradas por especialistas da indústria e da academia, com temas diretamente ligados à engenharia de materiais, como análise metalográfica, corrosão, tratamentos térmicos, análise de falhas e ensaios mecânicos, além de videoaulas disponíveis na plataforma de ensino à distância, no programa “ABM Ensina”. 

Ao celebrar o Dia do Engenheiro de Materiais, a ABM reafirma seu compromisso com a formação, a atualização e a valorização dos profissionais da área, o que a associação pratica de forma permanente, por meio de cursos, eventos, publicações e premiações que, há mais de oito décadas, conectam o conhecimento técnico-científico às necessidades da indústria brasileira e da evolução da sociedade.