Dia da Engenharia: área tem aumento de atividade e carece de mais profissionais no Brasil
Com avanço da digitalização, transição energética e novos investimentos em infraestrutura, engenharia vive momento de expansão e transformação no país. ABM realiza ações de impacto para progressos no setor
Fonte: Assessoria ABM
Celebrado em 10 de abril, o Dia da Engenharia destaca uma das profissões mais envolvidas com o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Instituída oficialmente em 1933, a data homenageia o Tenente-Coronel João Carlos de Villagran Cabrita, patrono da engenharia nacional, e reforça a relevância histórica e contemporânea dos profissionais responsáveis por projetar, construir e inovar em diferentes setores da economia.
Atualmente, o Brasil conta com mais de 600 mil engenheiros em atividade, segundo o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), com cerca de 40 mil novos profissionais formados anualmente. O setor está ligado a aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, com presença decisiva em áreas como construção civil, energia, transporte, tecnologia e indústria de base.
Crescimento do setor
Entre 2025 e 2026, o panorama da engenharia aponta para um ciclo de recuperação e crescimento, impulsionado por investimentos públicos e privados, além de transformações estruturais na economia global. No Brasil, programas como o Novo PAC vêm fortalecendo a demanda por profissionais, especialmente em projetos de mobilidade urbana, saneamento e habitação.
A construção civil, por exemplo, registrou a criação de mais de 218 mil empregos formais em 2025, consolidando uma base sólida para a continuidade da expansão em 2026. O cenário também é positivo em setores como energia, logística e agronegócio, que demandam soluções cada vez mais complexas e eficientes.
Na área energética, a expansão de fontes renováveis — como eólica, solar e biogás — e o avanço de iniciativas de descarbonização industrial ampliam as oportunidades para engenheiros elétricos, mecânicos, metalurgistas, de minas e especializados em energia. Já no agronegócio e na logística, projetos de modernização de infraestrutura rodoviária, ferroviária e portuária reforçam a importância da engenharia para o escoamento da produção e aumento da competitividade nacional.
Engenharia mais digital e sustentável
Além do crescimento em setores tradicionais, a engenharia passa por uma transformação profunda impulsionada pela digitalização e pela agenda ESG. Tecnologias como inteligência artificial, automação, gêmeos digitais e ferramentas avançadas de gestão de projetos já fazem parte da rotina de grandes empreendimentos.
Esse cenário exige um novo perfil profissional, capaz de combinar sólida formação técnica com habilidades em análise de dados, programação e integração de sistemas digitais. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por engenheiros preparados para atuar em projetos sustentáveis, com foco em eficiência energética, redução de emissões e uso inteligente de recursos.
A incorporação de critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) também se tornou um diferencial competitivo, especialmente em projetos de grande escala e em empresas com atuação global. Outro tema em destaque, é o interesse estratégico pela pauta de terras raras e minerais críticos. Devido à popularização do tema, engenheiros metalurgistas e de minas tem ganhado destaque em suas carreiras
Mercado aquecido e desafios de qualificação
Apesar da retomada do setor, o Brasil ainda enfrenta desafios importantes na formação e qualificação de profissionais. Há lacunas de talentos em áreas estratégicas, como engenharia elétrica, mecânica, metalúrgica e de Minas, e especialidades ligadas à automação e análise de dados — cenário que tende a pressionar remunerações para os perfis mais qualificados.
Ao mesmo tempo, dados do setor educacional indicam uma queda nas matrículas em cursos de engenharia nos últimos anos, o que acende um alerta para o futuro da profissão no país. A combinação entre alta demanda e menor formação de novos engenheiros pode impactar a capacidade de crescimento em setores-chave da economia.
Com mais de 80 anos de atuação, a Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), acompanha as transformações do setor e apoia empresas e profissionais para adaptação, aquisição de conhecimentos e ganho de competitividade, no cenário atual.
Nesse contexto, atualizações e a valorização de novas habilidades ganham protagonismo. Competências como gestão de projetos, comunicação interdisciplinar, adaptabilidade e visão estratégica são cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho. Esses e outros conhecimentos são reforçados nas atividades formativas da ABM, durante o ano todo e, principalmente, em seus eventos e seminários.
Engenharia como motor do desenvolvimento
Para Valdomiro Roman da Silva, Diretor de Operações da ABM, o momento atual reforça o papel central da engenharia na construção do futuro do país: “a engenharia vive um momento de transformação, impulsionado por novas tecnologias, competitividade e pelas demandas de descarbonização e transição energética, por exemplo. Mais do que nunca, o engenheiro é um agente estratégico para o desenvolvimento do setor, capaz de integrar conhecimento técnico, inovação e sustentabilidade em soluções que impactam diretamente a sociedade”.
Para Roman, com os desafios e as oportunidades em constante evolução, a engenharia segue como um dos pilares do desenvolvimento nacional, conectando conhecimento e inovação em um cenário cada vez mais dinâmico e tecnológico.
Engenharias que estruturam a indústria de base
Entre as diversas especialidades da área, as engenharias de Minas, Metalúrgica e de Materiais ocupam papel central no desenvolvimento industrial brasileiro e estão diretamente conectadas à atuação da ABM. A Engenharia de Minas é responsável pela pesquisa, extração e aproveitamento de recursos minerais, sendo estratégica para cadeias produtivas como siderurgia, energia e fertilizantes, além de avançar continuamente em práticas mais seguras e sustentáveis.
Já a Engenharia Metalúrgica e a Engenharia de Materiais atuam na transformação e no desenvolvimento de materiais que sustentam praticamente todos os setores produtivos. Enquanto a metalurgia se dedica ao processamento e à produção de metais e ligas com alto desempenho, a engenharia de materiais amplia esse escopo ao incorporar cerâmicos, polímeros e compósitos, impulsionando inovação em áreas como mobilidade, energia, tecnologia e manufatura avançada.
Juntas, essas especialidades são fundamentais para ganhos de eficiência, competitividade e sustentabilidade na indústria. E todas essas disciplinas da engenharia ganham aprofundamentos e estímulos por parte da associação, que realiza um trabalho relevante para criar condições mais favoráveis ao setor, sobretudo, por meio do estímulo ao conhecimento, à pesquisa e às trocas entre atores da área.






