Conhecimento em IA e adaptabilidade: confira as competências desejadas para engenheiros recém-formados
Em um mercado de trabalho competitivo e em constante transformação, o diploma de graduação pode não ser suficiente para conquistar o primeiro emprego; conheça outras habilidades valorizadas pelos empregadores
Fonte: Assessoria ABM
O principal receio dos estudantes que estão ingressando no ensino superior, mencionado por 55,8% dos entrevistados em pesquisa realizada pelo Semesp, é o de não encontrar emprego na área em que irão se formar. Essa preocupação também afeta os graduandos em engenharia, que enfrentam um mercado em constante transformação e precisam se adaptar às novas exigências profissionais para conquistar oportunidades após a graduação.
“Os engenheiros do futuro precisarão combinar domínio técnico, fluência digital, pensamento criativo e crítico e capacidade de adaptação”, afirma Felipe Viana Pimenta, gerente de desenvolvimento tecnológico da Vale. Para o executivo, há espaço no mercado de trabalho para os recém-formados, mas, para se destacarem, eles precisam desenvolver competências que complementem o conhecimento técnico.
Graduação é a base
“É muito importante desenvolver o conhecimento técnico, mas ele é apenas um pré-requisito. Nós esperamos que os recém-formados cheguem com uma boa e consistente base técnica para nos ajudar em nossas atividades do dia a dia”, explica Fernando Martinelli, gerente-geral de Pesquisa & Desenvolvimento da ArcelorMittal.
Felipe Pimenta segue a mesma linha de raciocínio e afirma que uma graduação de qualidade continua sendo essencial para a atuação de um engenheiro. Para ele, “a teoria não perde importância quando encontramos a prática. Muito pelo contrário, ela ganha contexto”.
O profissional da Vale pondera que a graduação precisa estar alinhada com os desafios atuais e que, muitas vezes, cabe ao aluno buscar cursos extras, atividades de extensão e estágios para se atualizar. “O desafio atual não é apenas formar engenheiros. Precisamos formar profissionais preparados para compreender problemas, construir soluções e, o mais importante, responder pelas decisões que tomamos”, finaliza.
Habilidades em IA já são necessárias
No Brasil, 79% dos usuários de inteligência artificial (IA) afirmam ter medo de ficar para trás caso não se adaptem à tecnologia, aponta um estudo conduzido pela Microsoft. O cenário reflete a realidade atual do mercado de engenharia, em que as habilidades relacionadas à IA se tornam cada vez mais necessárias e requisitadas pelos contratantes.
Sobre o tema, Fernando afirma: “abraçar a IA é uma necessidade. Eu não acho que a IA vai tirar o emprego dos engenheiros recém-formados, mas, sim, que ela é uma ferramenta que vai potencializar a atuação dos profissionais. No entanto, eu diria que muitos podem não conseguir emprego por não dominar a inteligência artificial”.
Na mesma linha, Felipe Pimenta comenta as aplicações da tecnologia na engenharia. “A IA pode organizar informações, analisar dados e encontrar padrões. Ela vai até mudar as tarefas do engenheiro, mas não vai substituir nossa função”, afirma.
Ao explicar por que os engenheiros devem dominar a tecnologia, ele destaca: “alguém precisa definir corretamente o problema, avaliar a qualidade dos dados, interpretar os resultados e considerar as consequências de cada decisão. Isso a IA não faz. Quem conhece os fundamentos consegue questionar a resposta, quem desenvolve habilidades transforma resposta em ação e quem demonstra atitude adequada usa a tecnologia com ética, transparência e responsabilidade”.
A boa notícia é que muitos profissionais brasileiros já reconhecem a importância do discernimento humano diante dos resultados fornecidos pela IA. Segundo a pesquisa conduzida pela Microsoft, 93% dos usuários da tecnologia no país tratam as informações fornecidas pela IA como um ponto de partida e se mantêm responsáveis pelo pensamento crítico.
Adaptabilidade como chave
Além de uma base técnica sólida e conhecimentos sobre as novas tecnologias do mercado, a adaptabilidade e a capacidade de construir relações continuam sendo necessárias. “Trabalhar em equipe, construir relacionamentos e construir confiança são fundamentais. Durante sua carreira, o profissional será constantemente avaliado. Por isso, construir relacionamentos de confiança será útil ao longo de toda a jornada”, explica Fernando.
Felipe, que já trabalhou com empresas de diversos países, afirma que a adaptabilidade também é essencial para estabelecer relacionamentos com todos os envolvidos em um projeto e entregar soluções que atendam às necessidades de cada um.
“A realidade muda de acordo com o contexto. É preciso aprender a escutar antes de recomendar, explicar assuntos técnicos de forma simples e adaptar cada proposta a cada cliente. Não existe uma solução única. A excelência técnica não garante, por si só, a aplicação de uma solução. A comunicação, a colaboração e a capacidade de adaptação são necessárias”, conclui.
ABM promove a formação complementar
Para que engenheiros recém-formados tenham acesso mais facilitado a uma posição no mercado de trabalho, Fernando recomenda que eles adotem a multidisciplinaridade. “Mesmo ao se aprofundar em uma determinada área, é preciso ter uma visão aberta para outras possibilidades e áreas de atuação. Isso será um diferencial quando o engenheiro precisar analisar problemas e propor soluções”, resume.
O entendimento que os engenheiros precisam ter uma visão global para se destacarem no ambiente profissional é compartilhado pela Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), que oferta aos seus associados uma série de cursos e aulas com foco no desenvolvimento de habilidades além das adquiridas na graduação, tanto para engenheiros como profissionais de outras funções e formações.
“O engenheiro recém-formado ganha mais espaço no mercado de trabalho quando amplia seu leque de conhecimentos. Nesse sentido, a ABM busca contribuir para essa formação, promovendo a capacitação por meio de cursos online que ajudam os alunos a se especializarem de acordo com suas necessidades”, define Valdomiro Roman da Silva, diretor de operações da ABM.
Sobre a ABM
Fundada em 1944, com o objetivo de promover conhecimento, inovação e networking para profissionais, acadêmicos, pesquisadores e empresas, a Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM) é uma instituição civil sem fins lucrativos, que atua em todo território nacional. Por meio da realização de eventos, cursos, treinamentos, palestras e da publicação de livros e revistas técnicas, a Associação busca integrar e cooperar com o processo de desenvolvimento e a competitividade da indústria de base nacional — pela geração e difusão de conhecimento técnico-científico e empresarial — em parceria com cerca de 70 empresas mantenedoras e associadas e mais de 1.500 associados pessoas físicas.






