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21 de Janeiro de 2026

A ciência da união e da cooperação no Rio Doce

Projeto de cooperação entre Samarco e Unesco no Brasil inspira as primeiras leis municipais brasileiras de fomento à Ciência Cidadã

Fonte: Assessoria Samarco


Um projeto nascido na Bacia do Rio Doce vem oferecendo uma nova perspectiva para a prática da ciência, aproximando-a da realidade das pessoas. O Programa Ciência Cidadã, fruto da cooperação entre a Samarco e a Unesco no Brasil, tem transformado salas de aula, quintais e comunidades inteiras em verdadeiros laboratórios a céu aberto, e inspirou a criação das primeiras leis nacionais de fomento à Ciência Cidadã no país.

A iniciativa está presente em 10 localidades de oito municípios de Minas Gerais e Espírito Santo e, em alguns deles, vem colhendo frutos para além das ações do programa. Um exemplo é o município de Conselheiro Pena (MG), no Vale do Rio Doce, onde o projeto é desenvolvido em três escolas municipais, com ações de monitoramento e restauração de nascentes, cuidado com ribeirões e implantação de hortas escolares. O impacto na cidade foi tão positivo que, antes mesmo do encerramento, o programa foi transformado no Projeto de Lei nº 047/2025, criando o Programa Ciência Cidadã Conselheirense, a primeira legislação municipal do país dedicada ao tema, em setembro de 2025.

Outro município que tornou lei o Ciência Cidadã foi Linhares (ES), no litoral norte capixaba. Lá, duas escolas e 210 alunos atuam com atividades de monitoramento participativo da qualidade da água e da biodiversidade de plantas aquáticas (macrófitas) e aves na lagoa de Interlagos de Linhares, incluindo catalogação da riqueza da biodiversidade (fauna e flora) existente na Vila de Regência Augusta.

A iniciativa agora é parte integrante da política municipal de educação ambiental formal e não formal. A coordenação do Programa de Ciência Cidadã Linharense será exercida pelas secretarias municipais de Meio Ambiente e de Educação.

“Desde o início, vislumbramos a possibilidade de o poder público e as comunidades adotarem o programa e o incluírem nas políticas locais. A aprovação é resultado de um processo de compreensão sobre o valor da ciência e de uma forte articulação comunitária. Mais do que números, o Ciência Cidadã representa um legado”, destaca a gerente de Meio Ambiente da Samarco, Brígida Maioli.

A expectativa é que outras cidades também apresentem propostas semelhantes para a criação de instrumentos que permitam a continuidade da Ciência Cidadã. Ao unir cidadãos e cientistas em ações de educação, pesquisa e comunicação, o programa fortalece o monitoramento da biodiversidade terrestre e aquática e incentiva práticas de conservação e uso sustentável dos recursos naturais na região.


Seminário de encerramento

O município de Aracruz, no Espírito Santo, foi o local escolhido para receber o II Seminário de Ciência Cidadã na Bacia do Rio Doce, em dezembro de 2025. O evento marcou o encerramento das atividades do Ciência Cidadã dentro da parceria entre a Samarco e a Unesco no Brasil.

Estiveram presentes 170 estudantes, professores, pesquisadores, lideranças comunitárias, lideranças indígenas, gestores públicos e equipes técnicas de 23 municípios.


Sobre o Programa Ciência Cidadã

O Programa Ciência Cidadã foi criado em 2021 e faz parte do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a UNESCO no Brasil e a extinta Fundação Renova, então responsável pelas ações de reparação após o rompimento da barragem de Fundão. Com a homologação do Novo Acordo do Rio Doce, em novembro de 2024, no âmbito das ações de transição dos Planos de Ação da Biodiversidade, a Samarco assumiu a continuidade desta ação através da Cooperação firmada com a UNESCO.

Na última fase, que foi até dezembro de 2025, foram formados 860 cientistas cidadãos em localidades que incluem comunidades indígenas, moradores dos distritos de Novo Bento Rodrigues e Paracatu, em Mariana, além de estudantes. “O programa tem a característica de coprodução, e a comunidade participa integralmente, desde a escolha da ação até sua execução. Nós acompanhamos para garantir que as atividades sejam realizadas de acordo com protocolos científicos”, explica a coordenadora do projeto na Unesco no Brasil, Tatiana Mazzo.